sábado, 2 de dezembro de 2017


(…) 
É preciso aceitar esta mágoa, esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. 

É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução.

(…) 
Dizem-nos para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. 
Fica tudo à nossa espera. 

Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado. 
O esquecimento não tem arte. 
Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar.

 Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.




Miguel Esteves
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