Tu, que não conheço ainda, ou imagino que não conheço, ajuda-me a ficar

Ocupo pouco espaço, quase não faço barulho, nunca grito, não incomodo ninguém. 

Leva-me contigo e ajuda-me a ficar.

Tenho a ternura simples mas aos nós. 

Como as tuas unhas são mais compridas do que as minhas desata-me isto tudo. 

Mãos impregnadas de nuvens, ossos suaves como o leite,vagarosos, certeiros.

 É bom nascer no instante em que o ar é mais frio do que a água.

Trouxe-o aqui no bolso para ti. 

Há-de haver, nalgum sítio, a minha última casa.





António Lobo Antunes
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!