O que te direi?

Te direi os instantes.

Exorbito-me e só então é que existo e de um modo febril.

Que febre: conseguirei um dia parar de viver?

Ai de mim que tanto morro.

Sigo o tortuoso caminho das raízes rebentando a terra, tenho por dom a paixão, na queimada de tronco seco contorço-me às labaredas.

À duração de minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa.

Sou um ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios. 







Clarice Lispector
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!