Deixas rasto no meu peito durante horas. 
Dou com cabelos teus colados, dias depois, à roupa do meu sorriso.
Encontro nos vincos mais longínquos dos meus dedos o cheiro parado do teu olhar tão móvel. 
Procuro-te nas esquinas dos instantes que passam. 
Reconheço-te no vinco que a ternura deixa na carne do peito, do meu olhar, aquele que deito para longe, para outra esquina, de onde recebo mensagens de outro olhar igualmente teu, igualmente meu, reflectido na montra de uma loja do nosso sono. 
Deslizo. 
Deito-me sobre as lembranças. 
(...)
 E procuro-te sempre, na ausência da carne que os dias me traçam na pele. 
E depois na presença eu ... presença tu...





Mia Couto
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!