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Mostrando postagens de Março, 2017
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O sonho é a pior das cocaínas, porque é a mais natural de todas. 
Assim se insinua nos hábitos com a facilidade que uma das outras não tem, se prova sem se querer, como um veneno dado. 
Não dói, não descora, não abate – mas a alma que dele usa fica incurável, porque não há maneira de se separar do seu veneno, que é ela mesma.


 Fernando Pessoa

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"Carregavas dentro de si

Infinitas manhãs.

Não se importava com a cor,

Que via da janela...

Cinza ou azul,

Ela renascia

O passado, cabia num ontem,

O presente, num sorriso

O futuro...

Num doce Let it be."





Bruno de Paula
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O que buscamos uns nos outros é sempre a noite




José Tolentino Mendonça
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"Quero-te,
como se fosses a presa indiferente, a mais obscura das amantes. 
Quero 
o teu rosto de brancos cansaços, as tuas mãos que hesitam, cada uma das palavras que sem querer me deste. 
Quero que me lembres e esqueças como eu te lembro e esqueço: num fundo a preto e branco, despida como a neve matinal se despe da noite, fria, luminosa, voz incerta de rosa.”


Nuno Júdice
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Encontrei uma fotografia nossa dos tempos felizes.  Estava dentro de um livro que me ofereceste.  A marcar a passagem que mais me doeu.  E não pude deixar de sorrir.  Foi um crime minúsculo, já o sabemos.  Ainda assim: perdoas?



Fiama Hasse Pais Brandão
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Definir saudade?  Não consigo.  É dos sentimentos mais avassaladores que existem.  Como se descreve o vazio?  O silêncio?  A ausência?  O pedaço de nós que se ausentou? Saudades não é só sentir falta de alguém.  É sentir a falta de alguém em nós.  Dentro de nós.  É ter saudades de nós com alguém.  É o estar por estar, e o ser por ser. Como se traduz em palavras aquilo que a saudade corta sem nada nos tocar.  Que fere.  Que magoa.  Que esvazia.  Que ecoa.  Que enlouquece. Nada disto se assemelha à saudade que sinto.  São pequenas as palavras que a descrevem. Definir saudade?  Não me é possível.  Talvez por a sentir tão em mim.



Autor Desconhecido 

Lindoooooooooooooooo!!!!!

lindo de morrer

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Pela porta da frente eu não podia sair de dentro de mim mesmo com vida, porque não havia porta da frente.

Manoel de Barros
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Lá bem no fundo está a morte, mas não tenha medo.  Segure o relógio com uma mão, com dois dedos na roda da corda, suavemente faça-a rodar.  Um outro tempo começa, perdem as árvores as folhas, os barcos voam, como um leque enche-se o tempo de si mesmo, dele brotam o ar, a brisa da terra, a sombra de uma mulher, o perfume do pão.
Quer mais alguma coisa?  Aperte-o ao pulso, deixe-o correr em liberdade, imite-o sôfrego.  O medo enferruja as rodas, tudo o que se poderia alcançar e foi esquecido vai corroer as velas do relógio, gangrenando o frio sangue dos seus pequenos rubis.  E lá bem no fundo está a morte, se não corrermos e chegarmos antes para compreender que já não interessa nada.

Julio Cortázar,
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Tu dás o primeiro passo e a vida ajuda-te a fazer o resto.  Dás o salto e a rede aparece.  Pões aquele ponto final e abre-se um novo parágrafo.  Perdoas os erros e a vida torna-te mais tolerante.  Manténs os pés firmes no chão e encontras o teu caminho.  Amas sem pedir nada em troca e vives o amor para o resto da vida.  Cuidas mais de ti, e do que é essencial, e aprendes a praticar o desapego.  Deixas de te preocupar com o que não tem fundamento e percebes que é o silêncio que confunde.  Conjugas a paz na primeira pessoa do plural e aprendes que é ela o princípio, o meio e o fim de todas as coisas.


Autor Desconhecido
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Minha gentil:  Quem me dera ser uma ave: arrancaria uma pena às minhas asas e, voando ao céu, embebê-la-ia na tinta da aurora, naquela tinta vermelha com que os anjos escrevem cartinhas de namoro às estrelas…  quem me dera escrever-te com uma pena assim, e com uma tinta igual – eu seria, pela primeira vez, anjo, e tu serias o que há muito és: estrela.



- António Nobre, 1867-1900, a Cândida Ramos, de quem estava enamorado
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A minha saudade tem o mar aprisionado
na sua teia de datas e lugares.
É uma matéria vibrátil e nostálgica
que não consigo tocar sem receio,
porque queima os dedos,
porque fere os lábios,
porque dilacera os olhos.
E não me venham dizer que é inocente,
passiva e benigna porque não posso acreditar.
A minha saudade tem mulheres
agarradas ao pescoço dos que partem,
crianças a brincarem nos passeios,
amantes ocultando-se nas sebes,
soldados execrando guerras.
Pode ser uma casa ou uma rede
das que não prendem pássaros nem peixes,
das que têm malhas largas
para deixar passar o vento e a pressa
das ondas no corpo da areia.
Seria hipócrita se dissesse
que esta saudade não me vem à boca
com o sabor a fogo das coisas incumpridas.
Imagino-a distante e extinta, e contudo
cresce em mim como um distúrbio da paixão.


José Jorge Letria
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Um dia sem ouvir a tua voz é como descobrir que o mar morreu.


David Mourão-Ferreira
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Desdobrei a minha orfandade sobre a mesa, como um mapa. Desenhei o meu itinerário até ao meu lugar ao vento. Os que chegam não me encontram. Os que espero não existem.
E bebi licores furiosos para transmutar os rostos num anjo, em copos vazios.


Alejandra Pizarnik,
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Por isso esta ferida que faz bem
este prazer que dói como outro algum
e este estar-se tão dentro e sempre aquém.





Manuel Alegre
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