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Mostrando postagens de Janeiro, 2017
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De algumas coisas, sinceramente, me envergonho. 

De outras, me perdoo.




Clarissa Corrêa.
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Coisas que não passam.  Há quem diga que dentro da cabeça, eu não sei onde.  Coisas que de vez em quando voltam e por isso, só por isso,  se sabe que não passam. 
Coisas que nos agarram por detrás da nuca, frente a um espelho, sem qualquer propósito,  e só nos deixam sem querermos. 
Pequenos rogos, doces chamamentos,  partidas muitas, asperezas, ciúmes, vícios, abraços ternos, despedidas, raivas, tédios, pequenos espantos, sobressaltos.  Coisas que não passam, há quem diga que dentro da cabeça.  Eu não sei onde 




Pedro Paixão
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Falo como em mim se fala. 

Não a minha voz destinada a parecer uma voz humana mas sim a outra que testemunha que não deixei de morar no bosque.



Alejandra Pizarnik
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A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito 



Paul Éluard
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Cruza sobre mim  As pontas do vento  E orienta-as a sul...






Ana Paula Tavares
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Também quiseste ser a concha, ter um abrigo seguro na pérgula das águas. 
E foste apenas um molusco indefeso e vulnerável a todos os engôdos e a todos os anzóis. 





Albano Martins
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Nunca conheci os meus inquilinos da vida Não sei quando saem, nem quando entram,  em que estação ignota descansam de suas misérias. 

As mulheres têm saído deste corpo a bater com as portas queixando-se da minha tristeza, mas já se têm queixado da umidade, de muito frio, até de mofo na dispensa. 

Vão-se sempre sem pagar os inquilinos da minha vida e o pátio fica novamente vazio. 
Meu coração deixa de ser albergue de famintos para acolher os pássaros todos que arribam no verão e esperam que voltes pelas tuas coisas a este hotel de passagem em que é sempre noite. 




Federico Díaz-Granados
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Tão impossível a noite que não vinha contigo
nem chegava por ti. 
Tão impossível, e tão lentos os seus dedos de faca arranhando as minhas costas,
destroçando as minhas costas,
que não soube mais noite para além da luz dos teus dedos.




Ángel Mendoza
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As pessoas nunca terminam, 
Simplesmente se abandonam.



Gabito Nunes
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...canta na profundidade do meu ser,  na súbita ternura que me umedece o olhar...




Vergílio Ferreira

despedida - lindo

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"Sabemos mais uns dos outros.
 E é por esse motivo que dizer adeus se torna tão complicado. 
Digamos, então, que nada se perderá.
 Pelo menos, dentro da gente."





Guimarães Rosa
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um buraco na noite

subitamente invadido por um anjo




Alejandra Pizarnik
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hoje, foi-me difícil acordar com predisposição para amar o mundo 
(...)

al berto


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...É de uma inocência forte, herdada,
que a vida ainda irá desmanchar e depois refazer.



Guimarães Rosa
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mais ou menos perfeitos, mais ou menos geométricos. 

construo sempre mundos à altura dos piores pesadelos



Amalia Bautista
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eu não sei como dizer-te que cem ideias, dentro de mim,  te procuram.


Herberto Helder
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É Junho? É Setembro? É um dia em que estou carregado de ti ou de frutos, e tropeço na luz, como um cego, a procurar-te.


Eugénio de Andrade
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...E nada será teu senão um ir até onde não há onde...




Alejandra Pizarnik
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Só vivendo sobre a mudança se podia evitar a dor, só contornando a monstruosa perfeição do tempo se podia vencê-lo.  Assim pensava, e enganei-me, porque o tempo não é pensável.  Concentrei-me em deixar de ser para poder ser tudo, em esquecer para dominar a existência.  Eu sou o tempo; sou nada, o nada veloz e imóvel que molda o corpo do tempo.  Deixar de ser é ainda acatar as regras implacáveis do ser.  Estou esgotado do correr contra a dor, contra a memória, contra a infância, contra o amor e o ódio.  Criei uma meta de tranquilidade que se afasta tanto mais quanto mais corro para ela.  Não há paz no instante, e eu vivo de instante para instante. Começo a temer que a paz se alimente do sangue da paixão de que abjurei. 





Inês Pedrosa
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Fala de mim como uma vibração de pássaros que tivessem desparecido e regressassem;
fala de mim com lábios que todavia correspondem à doçura de umas pálpebra.
Que farias tu se a tua memória estivesse cheia de esquecimento?
Todas as coisas são transparentes: cessam as escrituras e cai chuva dentro dos meus olhos.


Os nossos lábios envelheceram em palavras incompreensíveis.





Antonio Gamoneda