domingo, 4 de dezembro de 2016


numa noite de audácia incomparável

passo a tratar-te por tu, e abraço com as pontas dos dedos

os nós das tuas mãos; 

no fresco calor condicionado

de um quarto onde a luz não dá para ler, recito

estrofes e mitos; 

beijo-te, não é? 

nada estava escrito,

nenhuma verdade comum aos planetas,

éramos só nós sem nenhum segredo,

vivos e completos, serenos, mortais.



António Franco Alexandre
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