(…) há a noite da tua pergunta,

há a noite de não te responder,

há a noite do medo dos nomes que há para a noite,

há no interior desta noite a esperança de uma noite anônima, isto é, de um silêncio e de um escuro que não se voltam para nós como uma acusação,

há um silêncio que me interroga e há todas as respostas inúteis,

há a tua morte na saliva que ficou nos meus lábios,

há a tua voz que se afastou,

ouvir um som que desconheça lábios, o do lume, por exemplo, o desta lareira com o seu quebra-fogo,e pela casa uma vacilação que a sustém, e no extremo a ilumina, nós estamos deitados no soalho, a tarde desce pela vereda, com o mar recortado de trepadeiras, os coelhos pararam junto à sebe, de onde se ergue o vazio entre muros e troncos.

Estamos no medo, na paz do medo, com o sol a crescer para o poente (…)



- Rui Nunes
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