Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. 
E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a substância de milhares de vozes, a fome de dizerem-se de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas submissas como a minha ao destino quotidiano, ao sonho inútil, à esperança sem vestígios.
 Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele. 
Vivo mais porque vivo maior.




- Bernardo Soares
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