domingo, 17 de julho de 2016


Faz vinte anos que eu perdi alguém. 
Alguém que era tudo. 
Mas não morreu desta morte. 
Simplesmente, foi embora. 
Do país, da minha vida, sobretudo da minha vida. 
Esse tipo de morte é pior, posso lhe garantir. 
Porque fui eu quem pediu que ele se fosse, e até agora nunca me perdoei. 
Essa morte é pior, 
porque a gente fica aprisionada no próprio passado, 
destruída pelo próprio sacrifício.






Mario Benedetti,
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