Fábula da Ondulação do Teu Corpo


Fábula da Ondulação do Teu Corpo

dessas noites à beira-rio em que silenciosas as mãos
contavam cabelos, carinhos e outras histórias assim
recordo o marulhar da água contra as rochas mudas
o lamento das rãs e o vento morrendo nos arbustos
as promessas de uma foz em que poderia desaguar
a nau do desejo apenas segredado entre duas bocas
relembro o olhar das margens fluviais e esse querer
descobrir novos caminhos marítimos para as índias
adormecidas em nós mas sempre sonhadas no mar

do mar que não vi guardei a ondulação do teu corpo



José Luís
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