“Aqui deste lado não poderias ser quem eras, quem serias. 
Fugiste de um mundo pequenino, de uma asfixia. 
Agora de ti nada sei: de que te alimentas, quem amas, onde dormes.
 Nem desejo saber. 
Basta-me lembrar-te como quem relembra uma música. 
Eu quis-te com uma violência que desconhecia.
 Tu levaste-me para paragens inóspitas, repletas de perigos. 
Por ti senti pavor. Por ti senti raiva. 
Por ti senti desespero. 
Entre nós havia sempre uma impossibilidade, um vazio. 
Tu eras em tudo um bicho indomável. 
Nunca te oferecias. 
Era preciso ir buscar-te aos lugares mais secretos.”




[Pedro Paixão]
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!