A remoção das memórias é um ato de defesa. 
De proteção. 
Do ser mais frágil que conhecemos. 
Nós próprios. 
Remover, esquecer, confundir: são necessidades de um sentimento que de outra maneira transbordaria, partindo as margens. 
São urgências de um pensamento que colapsaria em si próprio, não encontrando, no fundo de todas as suas ações, um sentido que as tenha guiado. 
O ser humano não pode memorizar tudo. 
Não pode. 
Não deve. 
Levaríamos nas nossas costas toda a dor do mundo. 
Compreenderíamos a insensatez de todas as promessas, de todas as esperanças, de todos os sonhos. 
Morreríamos todos os dias, todas as noites.




Davide Enia,
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!