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Mostrando postagens de Setembro, 2015
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A estrutura da bolha de sabão, compreende?  Não compreendia.  Não tinha importância.  Importante era o quintal da minha meninice com seus verdes canudos de mamoeiro, quando cortava os mais tenros, que sopravam as bolas maiores, mais perfeitas.  Uma de cada vez.  Amor calculado, porque na afobação o sopro desencadeava o processo e um delírio de cachos escorriam pelo canudo e vinham rebentar na minha boca.


Lygia Fagundes Telles
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"A noite - enorme,  tudo dorme,  menos teu nome".

Paulo Leminski
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"A fé é um exercício pra vida inteira.  Muitas e muitas vezes, eu me distancio incrivelmente dela, achando que posso resolver tudo sozinha.  Não é raro nessas ocasiões, na verdade é bastante comum, eu me atrapalhar toda num turbilhão de emoções que me drenam a energia e o sorriso.  Mas, toda vez que consigo acessá-la, de novo, tudo se modifica e se amplia na minha paisagem interna.  (…) Então, faço o que me cabe e entrego, mesmo quando, por força do hábito, eu ainda dê uma piscadinha pra Deus e lhe diga:  “Tomara que as nossas vontades coincidam”.  Faço o que me cabe e confio que aquilo que acontecer, seja lá o que for, com certeza será o melhor, mesmo que algumas vezes, de cara, eu não consiga entender."

— Ana Jácomo.
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"Dentro de mim mora um gritoDe noite, ele sai com suas garras, à caça de algo para amar."

Sylvia Plath
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[…]  A canção é só isso: um amor que se consome em chama entre o instante da voz e a eternidade do silêncio. Outros cantadores, quando atuam em público, se trajam de enfeites e 'reluzências'.  Mas, em meu caso, cantar é coisa tão maior que me entrego assim pequenininha.  Dessa maneira, menos que mínima, me torno sombra, desenhável segundo tonalidades da música. Cantar, dizem, é um afastamento da morte.  A voz suspende o passo da morte e, em volta, tudo se torna pegada da vida.  Dizem, mas, para mim, a voz serve-me para outra finalidade: cantando eu convoco um certo homem.  Era um apanhador de pérolas, vasculhador de maresias.  Esse homem acendeu a minha vida e ainda hoje eu sigo por iluminação desse sentimento.  O amor, agora sei, é a terra e o mar se inundando mutuamente. Amei esse peroleiro tanto até dele perder memória.  Lembro apenas de quanto estive viva.  Minha vida se tornava tão densa que o tempo sofria enfarte, coagulado de felicidade.  Só esse homem servia meu litoral, todas vivê…
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No descomeço era o verbo. Só depois é que veio o delírio do verbo. O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz:  Eu escuto a cor dos passarinhos. A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som. Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira. E pois. Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos —  O verbo tem que pegar delírio.


Manoel de Barros
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é difícil enumerar noites quando são um nervo exposto da memória

se quero falar sobre as variações da insonia sabes o que te posso contar?

à espera de resposta digo-te que gosto de noites curtas

e que ao estar sozinha vão nascendo pássaros nos regressos que desenho para portas por abrir



maria sousa
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A boca
onde o fogo
de um verão
muito antigo
cintila.
O que pode uma boca
esperar
senão outra boca?



Eugénio de Andrade
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A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.

Fernando Pessoa
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Eu ainda acredito
Num futuro mais bonito.
-
Jorge Vercillo.
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Quem foi que à tua pele conferiu esse papel de mais que tua pele ser pele da minha pele.


David Mourão-Ferreira
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"A amizade é a corda que amarra o coração de todo o mundo."

John Evelyn
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Penso que é sempre de nós que nos separamos quando deixamos alguém,
É sempre de nós que partimos quando deixamos a costa,
A casa, o campo, a margem, a gare, ou o cais.

Álvaro de Campos,
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namoriscando o proibido, seus olhos pirilampiscavam


Mia Couto
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Há gente assim, tão pura. 



Herberto Helder
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Saudade vive onde algo foi...

* Pe. Fábio de Melo *
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vem
com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te



al berto
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Outros amarão as coisas que eu amei



Sophia de Mello Breyner Andresen