Mas estou cansado.
 Os olhos fecham-se-me com o peso das paixões desfeitas.
Imagens, imagens que se colam ao interior das pálpebras - imagens de neve e de miséria, de cidades, de fome e de violência, de sangue, de aquedutos, de esperma, de barcos, de comboios, de gritos...
talvez uma voz... o desejo de um sol impiedoso, sobretudo enquanto dormia.
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E embarquei num cargueiro, desertei em Java, pensei mesmo construir uma casa
Mas não foi possível.
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Ainda vejo aquelas árvores cobertas de ossos luminosos, e a duna incendiada, o deserto onde posso continuar a reconstruir o universo.
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Escavo no coração um poço de sal, para dar de beber ao viajante que fui.
Deixo o vento arrastar consigo a infindável caravana de ilusões.
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E digo: que tudo se afogue na gordura das manhãs, que tudo silencie... e uma língua de fogo atinja os livros que não escreverei.
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Al Berto
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!