Não sonhas. 
Morres um pouco de manhã e ao meio do dia quando o sol mais queima. 
Tens de continuar. Tens de esquecer. Não aguentas mais. 
Tens de acabar, matar, recomeçar a viver
Só que ela está presa por dentro e tu agarrado a ela por um nó da garganta e não sabes o que deves deitar fora, arrancar, vomitar para que ela te saia de dentro.

Sais à noite com definitivos propósitos de não voltares sozinho. Compões dentro da cabeça uma mulher com um bocadinho disto e um bocadinho daquilo e esperas que bata certo. 
Levas um bocado do tecido rasgado e queres encontrar o todo.
 Mas não encontras ninguém
Pior, encontras alguém que te vem provar sem remissão que não a vais poder substituir tão facilmente porque não há mais nada no mundo inteiro depois dela senão um deserto de tempo que se estende à tua frente onde tudo se torna insignificante e pequenino.”



Pedro Paixão

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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!