mãe


Pra ela eu contava qualquer tipo de coisa com o coração todo aberto, porque eu sentia de forma muito clara a facilidade e o acolhimento com que me ouvia. 

Um bom confidente, às vezes, é apenas aquele que nos deixa livres para dizermos tudo o que quisermos sobre nós, inclusive bobagens das quais talvez nos arrependamos logo depois de dizê-las. 

Às vezes, é apenas aquele que interage com o nosso sentimento da vez, sem estar com a razão toda arrumada para análises profundas, tiradas magníficas, sermões eloqüentes, dos quais nem sempre precisamos. 

um bom confidente, essa maravilha rara, é aquele que aproxima, generosamente, a vida dele da vida da gente e, apesar da mágica interação que acontece com essa proximidade, consegue manter a distância necessária para não confundir a sua história com a nossa. 

Há momentos em que a gente só precisa falar e se sentir, de verdade, ouvido. 

Só isso. Só isso tudo.




Ana Jácomo
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!