domingo, 5 de abril de 2015


Morrerei sem retratos. 
Nem de mim nem de ti
nem de uma ou outra mão que me tocou o ombro.
(O esforço é um revigorante da memória – 
deixemos o assunto por aqui).
Morrerei sem cadastros, sem datas ou saltérios,
com que embalar as noites às crianças do bairro,
e dessas perdas a que mais me doerá 
é a caligrafia do teu punho nervoso. 




Miguel Martins
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...