domingo, 22 de fevereiro de 2015


Não vai doer. 
É bater de frente com a morte. 
Olhar a silhueta das asas de um anjo. 
Ácido na língua. 
Mãos apertadas nos joelhos à espera da solução para os vícios. 
Não dói nada. 
Sou uma fada de botas da tropa. 
É o meu delírio sempre a horas certas dentro de um aquário híbrido. Estranhar ser pessoa. 
Estranhar ter crescido. 
Ter de ser crescida. 
Sem pele. 
Colecionadora de vestidos que não posso vestir. 
É incrível como a torre pode cair. 
Devia, antes de saber se caio, demolir um assunto grande. 
Só para assistir à cadência. 
Como com as estrelas, mas sem desejar. 
Não vai doer. 
É só uma luz muito aguda.




Patrícia Baltazar
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