Fica comigo. 
Daqui a nada é noite e as noites custam, a mim custam, sobretudo quando os candeeiros da rua se acendem e as árvores e os prédios fronteiros logo diferentes, quase ninguém na rua, um miúdo com um cão lá ao fundo, uma tristeza parada na tonalidade do silêncio, estes móveis e estes retratos que não me ligam nenhuma, os teus passos na escada, tu no passeio: nem vou à janela olhar, não quero olhar. 
Fica comigo só mais um bocadinho, dez minutos, meia hora, sei lá, o tempo inteiro. 
Mesmo que não fales. 
Mesmo que leias a revista do jornal. 
Mesmo que não me toques. 
Mesmo como se eu não existisse.(…)


— António Lobo Antunes
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!