em ti acostam os barcos e a sombra dos grandes navios do mundo
vive o peixe, agitam-se algas e medusas de mil desejos
em ti descansam os pássaros chegados doutras rotas
secam as redes, põe-se o sol
em ti se abandona a ressaca das ondas e o sal dos meus olhos
as árvores inclinadas, os frutos e as dunas
em ti pernoita a seiva cansada das palavras, o suco das ervas e o açucar
transparente das camarinhas
em ti cresce o precioso silêncio, as ostras doentes e as pérolas dos mares
sem rumo
em ti se perdem os ventos, a solidão do mar e este demorado lamento


Al Berto
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!