domingo, 12 de janeiro de 2014


Tem dias que a gente fala com o vento, sem esperar respostas. 
Sem promessa alguma, ainda assim desejamos senti-lo assoprar de leve em nosso rosto. Carinho sem mãos. 
Nesse, exercício de falar ao vento, em meio a multidão, imaginei que ninguém me via. Convicta de que não seria o vento que me daria as respostas, esqueci de esperá-las. 
Mas, de repente, ouço o vento soprando, e com ele um cheirinho de terra úmida. 
Bons ventos não me trouxeram respostas, mas saciaram a sede de um ombro amigo, com um simples olhar.


— Fabrício Carninejar.
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