domingo, 29 de setembro de 2013


Queima tudo, incendeia-me mais.
Beija os vastos desertos da minha combustão.
Não digas nada.
Ao crepúsculo, conduz-me ao redil,
faz soar os guizos,
canta junto ao moinho de vento.





José Agostinho Baptista








A maneira mais absoluta de aceitar alguém ou alguma coisa seria justamente não falar, não perguntar - mas ver. 

Em silêncio...




Caio Fernando Abreu



Quem dera eu pudesse bater meus sapatos vermelhos e ir de volta pro mundo dos meus sonhos, onde eu deixei minha inocência, minhas ilusões e minha capacidade de encantar-me com o comum. 
Quisera eu ainda ter uma latinha onde esconder meus "tesouros", um relógio de corda, um camafeu e um broche, minha riqueza, meu mundo escondido embaixo da cama... 
Onde estará guardado o meu coração de menina?
 Tal qual Dorothy, quero voltar pro lar de mim, com meus sapatinhos de boneca e minha alma de criança...




Mágico de Oz

talvez as 'pedras' nasçam dos vazios... ou, pelos vazios, os corações tornam-se de pedras...


(...)
Se o teu ouvido se fechou à minha boca
poderei escrever ainda poemas de amor?
A arte de amar não me serve para nada.

Um fogo em luz transformado.
Subitamente, a sombra.
(...)



Casimiro de Brito

domingo, 8 de setembro de 2013


Despe-te
não há outro caminho.




Eugénio de Andrade,

As cartas que escrevi pra acabar com ele mandei só pra mim.

 Deve ser por isso que estou acabada. 



Tati Bernardi

Em que espelho ficou perdida a minha face?


"Continuando: 
somos muitos ao mesmo tempo, somos aqueles que sonhamos, mas sobretudo aquilo que tememos e que desejamos."


Manuel António Pina

...afogar-se
às vezes é morrer
em líquidas palavras
que nunca dizemos...




Silvia Chueire


As plantas acenavam ao vento de agosto,
nas suas hastes finas e verdes.
E disse-me a mais faladora de todas,
alta e trigueira:
- Dás-me dez anos da tua vida?
Eu só tinha cinco anos,
pus-me a contar pelos dedos,
vi que ia ficar com muito pouco.
- Dou - disse eu.
E ainda hoje, que nunca mais soube de mim,
vou com o vento, balouçando.
E agosto é todo o ano para mim.



Ruy Belo

*E setembro sempre me cheira a saudade!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

devorar-te pela ternura, pelos olhos, e pelos silêncios....

quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada, e o sono, a mais incerta barca,
inda demora, quando azuis irrompem
os teus olhos e procuram
nos meus navegação segura, é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas, pelo silêncio fascinadas





Eugénio de Andrade

‘Cubra-nos com Teu Manto, oh Mãe’...

‘Cubra-nos com Teu Manto, oh Mãe’...  Quantas frases mal pronunciadas, sussurradas, cheias de uma pressa, de apelo e de fé elevei ...