As plantas acenavam ao vento de agosto,
nas suas hastes finas e verdes.
E disse-me a mais faladora de todas,
alta e trigueira:
- Dás-me dez anos da tua vida?
Eu só tinha cinco anos,
pus-me a contar pelos dedos,
vi que ia ficar com muito pouco.
- Dou - disse eu.
E ainda hoje, que nunca mais soube de mim,
vou com o vento, balouçando.
E agosto é todo o ano para mim.



Ruy Belo

*E setembro sempre me cheira a saudade!
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!