não te parece com teu retrato, e eu, tenho de fechar meus olhos, para poder te ver...


não quero mentir mais. estou cansado de mentir.
vejo o teu rosto parado numa fotografia e a memória
que guardo de ti é tão diferente da realidade assustadora das fotografias.
mas não vou mentir. estou cansado de mentir.
a minha vida também és tu, o teu rosto parado na minha memória.
a minha vida és tu e todas as mãos que me seguraram e me quiseram, todos os lábios que me beijaram, todas as línguas que me desenharam figuras na pele, todos os dentes que me morderam, todas as vozes que me disseram amo-te
e me fizeram acreditar nisso. não quero mentir mais. estou cansado de mentir. não és quase nada, mas não quero e não vou fingir que nunca exististe.



José Luís Peixoto
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!