sábado, 22 de junho de 2013


Não paramos de amar o que um dia amamos. Mas de pessoa em pessoa, de peça em peça, gostaríamos de acreditar que pouco a pouco montamos um puzzle e que certo dia um rosto aparecerá. E não precisaremos mais procurar. No entanto, em termos de imagem total só temos a última, e ela não apaga as precedentes. Nenhuma figura é esquecida, nenhuma nos retém. É o que faz nossa vida não ser uma sucessão de fracassos, mas uma construção incerta inteiramente destinada ao amor. Guerras são travadas, solidão contra solidão. Feridos enfrentam outros feridos, o amor é a causa. O que recriminamos ao outro não é o fato de compartilhar conosco o mesmo ferimento, é o de ele ter encontrado o mesmo remédio. O amor é quando cada um acredita que o outro encontrou um remédio diferente, que vai curá-lo. Mas na maior parte do tempo lutamos contra seres que se parecem demais conosco, que sofrem tanto quanto a gente, e nisso são invencíveis.



Pierre Mérot 
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