terça-feira, 7 de maio de 2013

Sei que você compreende.


Aceito todo dia. 

Conto para você, e sendo assim preciso te 

dizer: mudei, embora continue o mesmo. 

Sei que você compreende. 

Mas para você, revelo humilde: o que importa é a Senhora Dona Vida, coberta de ouro e preta e sangue e musgo do tempo e creme Chantilly às vezes e confetes de algum carnaval, descobrindo pouco a pouco seu rosto horrendo e deslumbrante.

Precisamos suportar. E beijá-la na boca.

De alguma forma absurda, nunca estive tão bem. 

Armado com armas de São Jorge.

 Os muros continuam brancos e o portão pode 

ser aberto a qualquer hora para entrar ou sair.




Caio Fernando Abreu
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