sábado, 27 de abril de 2013

Sou a saudade que te evoca, traz de volta e te concede uma misteriosa forma de continuar....


Esta falta que me causas é como dor que não se localiza. Falta não sei onde e não sei quanto. Espaço não configurado, não conceitual, imensurável. Do que sei de mim, pela força da saudade, por vezes, me esqueço. É como labirinto não simbolizado por onde recolho pedaços, fragmentos seus. Levaste a senha da minha inteireza. Desde então eu me desassossego com a tua ausência. Consolo-me na observância silenciosa dos teus segredos. Deles eu me tornei guardião. Eles nos religam, estreitam os caminhos, ampliam a tua ausência em mim. Por eles, tu roubas o que sou e me tornas a sepultura de onde sais. Sou espaço da tua inabitação. 

Sou a saudade que te evoca, traz de volta e te concede uma misteriosa forma de continuar.






 Fábio de Melo

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