domingo, 10 de março de 2013

E quantas vezes em mim há de morrer?



Que boca há de roer tempo? 
Que rosto
Há de chegar depois do meu?
Quantas vezes
O tule do meu sopro há de pousar
Sobre a brancura fremente do teu dorso?
Quantas vezes dirás: vida, vésper, magma-marinha
E quantas vezes direi: és meu.
 E as distendidas
Tardes, as largas luas, as madrugadas agônicas
Sem poder tocar-te. 
Quantas vezes amor
Uma nova vertente há de nascer em ti
E quantas vezes em mim há de morrer.



Hilda Hilst
Postar um comentário

‘Cubra-nos com Teu Manto, oh Mãe’...

‘Cubra-nos com Teu Manto, oh Mãe’...  Quantas frases mal pronunciadas, sussurradas, cheias de uma pressa, de apelo e de fé elevei ...