sábado, 31 de março de 2012

...quero!...


QueRo PeCaR sEm iNTeRVaLoS        
                        

Fabrício Carpinejar

Quem ama, ama para sempre,



É por isso que te escrevo. Não há morte, nesta carta. Mas há uma despedida que é um pequeno modo de morrer. Lembras-te como dizia Zacaria? 'Tive as minhas mortes, felizmente, todas elas passageiras'. A minha única morte foi a de Marcelo. Essa, sim, foi o primeiro desfecho definitivo. Não sei se Marcelo foi o amor da minha vida. Mas foi uma vida inteira de amor. Quem ama, ama para sempre. Nunca faças nada para sempre. Exceto amar.




Mia Couto

O tempo dá delicadezas aos olhos


Vanessa Leonardi

*Amém!

sexta-feira, 30 de março de 2012

noites insones,


seria preciso
o teu corpo adormecido na minha cama

para que a noite tivesse nome



Eugénia de Vasconcellos

Senhor, o amor é uma coisa que mete medo.


Hélène Monette

que é preciso aprender a olhar,


Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refeletidas no espelho do ar. Às vezes um galo canta. Às vezes um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.



Clarice Lispector


**Que Você consiga ver além!

quinta-feira, 29 de março de 2012


viro-me para a terra alegre dos sonhos, 
invento uma lua, um inverno só para mim

(...)



Al Berto



*E dela, Lua, visto-me!

De pé, encostado no tronco de um dos cinamomos, João Paz murmura:


Tenho a impressão de que somos passageiros sem bagagem, que perderam um trem e estão esperando o próximo, que ninguém sabe quando vai passar. Como nossos bilhetes estão em branco, não sabemos qual é o nosso destino.



 Érico Veríssimo

Fato!:

"NINGUÉM tem ombro para suportar sozinho o peso de existir"



Mia Couto


*Semana de provas! Desculpem a ausência!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Mas não me importo... De dormir ao relento, entre tuas mãos...


Amo o caminho que estendes por dentro das minhas divisões.



Ignoro se um pássaro morto continua o seu voo


Se se recorda dos movimentos migratórios


E das estações.


Mas não me importo de adoecer no teu colo

De dormir ao relento entre as tuas mãos.





Daniel Faria

Que seja ele, que seja exatamente este o porto. Mesmo para odiá-lo apaixonadamente algumas vezes…


Caio Fernando Abreu


Quando amanhece penso:
Encontro-te no vento... 
...

Amanhã alegro-me de novo:
Imagino a floresta, parto o espelho
E recomeço a ir ao teu encontro.


Teresa Balté

terça-feira, 27 de março de 2012

Os dois: silêncio e Deus!


Escuto mas não sei
Se o que ouço é silêncio

Ou Deus.

[...]




Sophia de Mello Breyner Andresen

*Que saudades do mar!
**Semana intensa!


Ide... tendes estradas,


Tendes jardins, tendes canteiros,


Tendes pátrias, tendes tetos,


E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.


Eu tenho a minha Loucura: Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,


E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios!


Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.


Todos tiveram pai, todos tiveram mãe,


Mas eu, que nunca principio nem acabo,


Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!


Ninguém me peça definições!


Ninguém me diga:"vem por aqui"!


A minha vida é um vendaval que se soltou.


É uma onda que se alevantou.


É um átomo a mais que se animou...


Não sei por onde vou,


Não sei para onde vou,


-Sei que não vou por aí!





José Régio

segunda-feira, 26 de março de 2012


Pouco sabe da tristeza quem, sem remédio para ela, diz ao triste que se alegre; pois não vê que alheios contentamentos a um coração descontente, não lhe remediando o que sente, lhe dobram o que padece. (...)

Uma coisa sabei de mim: que queria antes o bem do mal, que o mal do bem, porque muito mais se sente o porvir, que o passado; e a morte, até matar, mata.(...)
No mundo não tem boa sorte senão quem tem por boa a que tem. E daqui me vem contentar-me de triste.



Luís de Camões

CHOREI: Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa...

Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda-roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa.

 

Caio Fernando de Abreu

Calam-se as cordas.
A música sabia o que eu sinto


Jorge Luis Borges

domingo, 25 de março de 2012




Paraíso é quando não sentimos o corpo
Quando nos esquecemos.
Ou quando o sentimos com tal intensidade que estamos
mergulhados na chama, que parece eterna.



Casimiro de Brito

Utópico... Mas eu busco...

E afinal o que eu quero é fé, é calma, e não ter estas sensações confusas.


Fernando Pessoa
Da caixa de Pandora, na qual fervilhavam os males da humanidade, os gregos fizeram sair a esperança em último lugar, por considerá-la o mais terrível de todos. Não conheço símbolo algum mais emocionante do que este. Se deveras existe um pecado contra a vida, talvez não seja tanto o de desesperar com ela, mas o de esperar por outra vida, furtando-se assim à implacável grandeza desta



Albert Camus

"O milagre é o riquíssimo girassol se explodir de 

caule, corola e raiz - e ser apenas uma semente.

Semente que contém o futuro."




Clarice Lispector

sábado, 24 de março de 2012


E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.




Julio Cortázar

Ah! Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante...



Perdoai,
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas


Manoel de Barros

Se não tenho chão, 

Tenho que ter asas



Vanluchiari

Urgências!



Preciso urgentemente de adquirir meia dúzia de valores absolutos, inexpugnáveis e impenetráveis,
firmes e surdos como rochedos.

Preciso urgentemente de adquirir certezas,
certezas inabaláveis, imensas certezas, montes de certezas,
certezas a propósito de tudo e de nada,
afirmadas com autoridade, em voz alta para que todos ouçam,
com desassombro, com ênfase, com dignidade,
acompanhadas de perfurantes censuras no olhar carregado, oblíquo
(...)



Antonio Gedeão

sexta-feira, 23 de março de 2012

Nas pálpebras da noite:



Nas pálpebras da noite
Chorei cadências que me ensinaram que 
O Amor: Ama-se!...




Daniel Faria

Não percebi a chegada do Outono, porém, todas as árvores que plantei, estavam nuas


Não percebi a chegada do outono. Mas eu sentia que estava embarcando numa nova estação: todas as árvores que plantei, de repente, estavam nuas. E eu caminhava num tapete de folhas e flores. Os caminhos também se estreitaram e tive uma sucessão de perdas, ou melhor, tive uma sucessão de trocas. E assim, como toda pessoa que tem um coração pulsando, fiquei assustada demais com as mudanças. Mas agora já consigo perceber beleza na nudez de cada uma das minhas árvores prediletas. Elas apenas estão trocando de roupa enquanto eu troco de pele, tamanha cumplicidade.



...Esta palavra "eterno" é uma palavra séria...




Richard Sibbes

O vento diz coisas que meu rosto entende.


Pedro Pondé.

quinta-feira, 22 de março de 2012


este amor é de carne - é foz patente


de um rio sempre a crescer, sempre na esteira


do que tão perto está mesmo se ausente.







João Rui de Sousa.

Alma & Mente:

A alma sabe sempre como curar a si própria.
O grande desafio é silenciar a mente.
(...)

Caroline Myss

Das correntes dos sentimentos: fica esse gosto ocre na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.


As coisas que amamos, as pessoas que amamos são eternas até certo ponto. Duram o infinito variável no limite de nosso poder de respirar a eternidade.


Pensá-las é pensar que não acabam nunca, dar-lhes moldura de granito. De outra matéria se tornam, absoluta, numa outra (maior) realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos, e todos nós cansamos, por um outro itinerário, de aspirar a resina do eterno.

Já não pretendemos que sejam imperecíveis. Restituímos cada ser e coisa à condição precária, rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto ocre na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.





Carlos D. de Andrade

quarta-feira, 21 de março de 2012

...ver-te assim, noturno segredo...


...gosto de ver-te assim,
noturno segredo,
à luz, quase um brinquedo,
projetado de mim...



 
Fernando Campanella

É tempo de chegar o vento

E de nos aninharmos

Dentro de nós, sozinhos, hibernando.






Nuno Dempster

terça-feira, 20 de março de 2012

Sopros... Sopros de esperanças...


Música, levai-me:

Onde estão as barcas?
Onde são as ilhas?



Eugênio de Andrade

Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.



Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.

Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.

Não sou a destruição cega nem  a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.




Antônio Rosa Ramos

segunda-feira, 19 de março de 2012

Faltas-me.
 Se aqui estivesses isto não seriam palavras...





Helder Moura Pereira



Perguntou-me baixinho o que me matara:


- A beleza!, respondi.






Emily Dickinson,

Pra Você:


Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei às romãs a cor do lume.


Eugênio de Andrade

domingo, 18 de março de 2012

Vem!


Reúne-te comigo no meu chamamento,


Reúne-te comigo ao que nos demora,

E levemos conosco o fim desta espera!



Ana Hatherly


Um seixo em cada mão 
E o mar às costas.

A tua ausência será
Um calendário de pedras


Renata Correia Botelho

sábado, 17 de março de 2012

Um dia
um homem transformou-se em pássaro 
E voou 
À volta da mulher que esperava 
Que um Pássaro
Se transformasse em homem.



Nuno Júdice

Uns crepúsculos cor de pêssego querendo amadurecer, demoradíssimos, tão lentos quanto um acorde de Erik Satie. Dancei, dancei: eu estava tão claro que algumas pessoas que nunca tinham falado comigo vieram conversar. Eu estava entendendo tanto as coisas, e tudo principalmente que é de dentro das pessoas - assim como uma piedade amorosa, uma piedade cúmplice e também parceira de pequenas dores (ou grandes talvez), procuras, tentativas, quedas, quebras.



Caio Fernando de Abreu

sexta-feira, 16 de março de 2012

É crime:


...é um crime ignorar o pÔr-dO-sOl,

as prImeIras nEvEs, os pÁssAros

e os sOnhOs
...



Andrei Tarkovski

Mesmo a ausência DELE é uma coisa que está comigo.

E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.

Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.



Fernando Pessoa

quinta-feira, 15 de março de 2012

Aquela última janela acesa no casario?



...Aquela última janela acesa

No casario

Sou eu...



Mário Quintana


...Vem cá!
Que tá me dando uma vontade de chorar…



Marcelo Camelo

Estou sentado à beira-mar, olhando o mar sem o ver,


Estou sentado à beira-mar, olhando o mar sem o ver.
Voa no meu pensamento, a dança e contradança de lembrar e esquecer.
Não sei se vou esquecer. E enquanto sei e não sei;
Estou sentado à beira-mar, olhando o mar sem o ver.
Na tal dança, contradança de pensar e não pensar, pressinto que vou sentir lágrimas no meu olhar.
E enquanto sinto e não sinto, atiro pedras ao mar.



Milan Kundera

*Alguém sentado à beira do caminho
Jamais entenderá o que eu sinto agora
Sou levado pelo movimento
Que a sua falta faz

quarta-feira, 14 de março de 2012

"Cuidado, que eu mudei de lugar algumas certezas"


tivemos uma história mas a história foi-se, 
em fileiras angélicas e gratas, 
a fazer a manhã de outras paragens; outra sombra,
outros olhos semelhantes (...)

agora posso sonhar até deixar de te ver
...belo rio sem lágrimas



Mário Cesariny


LouCo! lOUcO cOraçãO! 
Vivendo de desvairadas quimeras, esquivas miragens. 

Escuta a razão, lOUcO! 
A candeia é o abismo. 
O fascínio é a dor disfarçada de prazer. 

O prazer que é, afinal, a dor, conduz, impreterivelmente, à morte. 

Quantas vezes morreste já? 



Al Berto
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