Era domingo. Era dia anoitecido. Era só mais um adeus. (…)


Fomos embora do lugar em que estávamos. 
Fomos embora juntos da nossa história. 

Quando fechei a porta do carro, deixei no banco vazio o casaco de desejos que ele, friamente, teceu pra mim. 
Saí quase nua, embrulhada apenas em algumas palavras balbuciadas com desinteresse. 
Tive que ir embora antes de ter tempo de mudar a expressão do rosto, embora eu estivesse completamente disposta a ser surpreendida.
E o que parecia ter muita luz, escureceu com sua sombra um dia inteirinho de sol e céu azul bem no início do outono.

Era domingo. Era dia anoitecido. Era só mais um adeus. (…)



Marla de Queiroz
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!