domingo, 21 de outubro de 2012

para quê vestir-me?


Fumo um cigarro nu a teu lado, cabelo em desalinho, corpo amarrotado, lençóis pisados ao fundo da cama, peças de roupa espalhadas no chão, fome alucinada que tudo devorou. não quero partir, não quero ficar, tão pouco tenho pressa de o perguntar. estou bem onde estou, junto do teu corpo, copos manchados de cuspo e dedadas. tinha-te dito à chegada, enquanto te enchia o copo: separa-nos uma e um quarto de luís pato (unidade de medida astronómica). à nossa. disse-te e batemos os copos. digo-te agora: separa-nos cada passo de cada dia percorrido (unidade de medida terrestre). o caminho a todo o comprimento e largura. máscaras, disfarces, medo, meias palavras.

para quê vestir-me?




Jorge Roque
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