Quando acordei, pelo apartamento não havia outro vestígio dele além dos filtros brancos dos cigarros que fumava, no cinzeiro cheio. Eu não sabia se voltaria a encontrá-lo, eu não sabia se queria que voltasse. Eu estava aterrorizada pela ideia de gostar de outro homem.

Ele voltou, dias depois.

Quando Pedro voltou, estava anoitecendo. E foi como se todas as luzes da casa acendessem ao mesmo tempo. E nós jantamos juntos, fomos ao cinema, ao teatro, ouvimos música, sentamos nos bares, acendemos os cigarros e enchemos os copos um do outro. Durante semanas fizemos todas essas coisas que as pessoas fazem quando querem ficar juntas, vivendo uma a vida da outra.


Caio Fernando Abreu
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!