Ele gostava quando ela dizia: - Sabe, nunca tive um papo com outro cara assim que nem tenho com você. 
Ela gostava quando ele dizia gozado: - Você parece uma pessoa que eu conheço há muito tempo. 
E de quando ele falava: - Calma, você tá tensa, vem cá. 
E a abraçava e a fazia deitar a cabeça no ombro dele para olhar longe, no horizonte do mar, até que tudo passasse, e tudo passava assim desse jeito. 
Ele gostava tanto quando ela passava as mãos nos cabelos da nuca dele, aqueles meio crespos, e dizia: - Bobo, você não passa de um menino bobo. 



Caio Fernando Abreu
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!