quarta-feira, 25 de abril de 2012

*E voava!



No tempo em que eu ainda trepava às árvores - há muitos, muitos anos, há dezenas de anos atrás, media apenas pouco mais de um metro, calçava o número vinte e oito e era tão leve que podia voar - não, não estou a mentir, naquele tempo eu podia de fato voar - ou, pelo menos, quase, ou, melhor dizendo: naquela altura teria realmente conseguido voar, se de fato o tivesse querido fazer e se verdadeiramente tivesse tentado, pois... pois lembro-me com exatidão de que uma vez não voei por um triz, era precisamente no Outono, no meu primeiro ano de escola quando voltava das aulas para casa e soprava um vento bastante forte, eu conseguia apoiar-me nele sem cair, sem abrir os braços, e tão inclinado como um saltador de esqui, ou ainda mais inclinado... e então quando chocava contra o vento nos prados ao descer a colina da escola - porque a escola ficava numa pequena colina fora da aldeia - e conseguia elevar-me um pouco acima do chão e estendia os braços...

*E voava!



Patrick Süskind
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