quinta-feira, 22 de março de 2012

Das correntes dos sentimentos: fica esse gosto ocre na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.


As coisas que amamos, as pessoas que amamos são eternas até certo ponto. Duram o infinito variável no limite de nosso poder de respirar a eternidade.


Pensá-las é pensar que não acabam nunca, dar-lhes moldura de granito. De outra matéria se tornam, absoluta, numa outra (maior) realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos, e todos nós cansamos, por um outro itinerário, de aspirar a resina do eterno.

Já não pretendemos que sejam imperecíveis. Restituímos cada ser e coisa à condição precária, rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto ocre na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.





Carlos D. de Andrade
Postar um comentário

‘Cubra-nos com Teu Manto, oh Mãe’...

‘Cubra-nos com Teu Manto, oh Mãe’...  Quantas frases mal pronunciadas, sussurradas, cheias de uma pressa, de apelo e de fé elevei ...