Sou as palavras e os segredos que guardei
e um estrito reservar-me nunca soube porquê
se tão completa me entrego as vezes que me entreguei.
Sou a lembrança que se vai diluindo
em olhos que julguei perenes e consanguíneos.
Sou canções-poemas e tantas
malbaratadas luas. 
E a música e os livros
e a varanda que um arquiteto desenhou
sem saber que era p'ra mim. 
E que perdi.
Sou o teu sono, minha gata, redondo ainda
e já inclinado ao fim. 
Sou árvores, o rio que amei,
as aves, as giestas, uma pouca de terra.



Soledade Santos
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!