diz-me: o que de mim amaste noutros corpos? Noutras camas, noutra pele? O que?


"Desenha com a ponta dos teus dedos
as fronteiras exactas do meu rosto
as rugas, os sinais a cicatriz que ficou da infância
o lento sulco das lâminas onde no peito
se enterra o mistério do amor


e diz-me:
o que de mim AMASTE noutros corpos?
noutras camas, noutra pele?


prometo que não choro mas repete
as palavras um dia minhas que sem querer
misturaste nas tuas e levaste
com as chaves de casa e os documentos do carro
- e largaste sobre a mesa com o copo de gin a meio
na primeira madrugada em que me esqueceste."
.


Alice Vieira
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!