Prece:


"Senhor, fazei com que eu aceite minha pobreza tal como sempre foi.
Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter e se perdeu por caminhos errados e nunca mais voltou.


Dai, Senhor, que minha humildade seja como a chuva desejada caindo mansa, longa na noite escura numa terra sedenta e num telhado velho
Que eu possa agradecer a Vós, minha cama estreita, minhas coisinhas
pobres, minha casa de chão, pedras e tábuas remontadas. 


E ter sempre um feixe de lenha debaixo do meu fogão de taipa, e acender,
eu mesma, o fogo alegre da minha casa na manhã de um novo dia que começa."





Cora Coralina
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!