...arde... e contra isso, não há o que possa...


Apaga-me os olhos: inda posso ver-te,

tranca-me os ouvidos: inda posso ouvir-te,

e sem pés posso ainda ir para ti,

e sem boca posso inda invocar-te.

Quebra-me os braços, e posso apertar-te

com o coração como com a mão,

tapa-me o coração, e o cérebro baterá,

e se me deitares fogo ao cérebro

hei-de continuar a trazer-te no sangue






Rainer Maria Rilke
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!