sábado, 31 de dezembro de 2011

'Tempo de 2012'...

"O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento; sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim; o tempo está em tudo. 

(...) o tempo é generoso, o tempo é farto, é sempre abundante em suas entregas: amaina nossas aflições, dilui a tensão dos preocupados, suspende a dor aos torturados, traz a luz aos que vivem nas trevas, o ânimo aos indiferentes, o conforto aos que se lamentam, a alegria aos homens tristes, o consolo aos desamparados, o relaxamento aos que se contorcem, a serenidade aos inquietos, o repouso aos sem sossego, a paz aos intranquilos, à umidade às almas secas".



Raduan Nassar


*Que venha o 'Tempo de 2012': com paz, amor, conquistas, sonhos, humildade, respeito, fé, e sonhos... Que façamos desse ano, um ano espetacular!
**A Você que andou comigo: Obrigada! Feliz e abençoado 2012!!!!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Dessas tardes que costuramos 'lembranças'


Caladas, bordamos uma eternidade. Nos sabíamos irmãs, mesmo com o fosso do tempo entre nós. Nos sabíamos em silêncio a bordar. Foi quando aprendi a pegar o silêncio com as mãos, enfiar no buraco da agulha, e escrever. Tudo que escrevo desfio dessas tardes. Desvio dessas tardes. Escrevo a saudade dessas tardes. E um nó na garganta. Amém...




Viviane Mosé

...Seus olhos e seus olhares... Acredito na força de um olhar!


Foi a cena mais doce que eu vi: dois olhares se encontrando. Não só se encontrando: se confortando, se sabendo, se completando. Eu notei que eles eram algo além de amigos, que se desejavam e se protegiam, e foi só pela cumplicidade dos olhos, que deixavam de ser dois e se enlaçavam quatro




Verônica H

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011


"Além desta enfermaria afetiva, tem outras.

Posso desabafar?"



Caio F. em carta para Jacqueline Cantore

Vá!


"alguma vez

alguma vez talvez
me vá sem ficar

me vá como quem se vai"



Alejandra Pizarnik

Era disso que eu tinha medo:

Do que não ficava para sempre!


Ana Carolina

Em seus caramujos,


Os tristes sonham silêncios.

Que ausência os habita? 



Helena Kolody

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Em 2012, conceda-me:


"Concede-me, Senhor, a graça de ser boa,

De ser o coração singelo que perdoa,
A solícita mão que espalha, sem medidas,
Estrelas pela noite escura de outras vidas

E tira d'alma alheia o espinho que magoa"



Helena Kolody


*AMÉM!

'Sou-me' um infinito de possibilidades!


"O abismo é o muro que tenho 

 Ser eu não tem um tamanho"



Fernando Pessoa

Essa mania de desenhar arco-íris para me proteger da chuva, sempre me salva dos grandes temporais.



Denise Portes

Arrumei os amores, é a primeira regra da vidasaber arquivá-los, entendê-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. A amizade só se perde por traição – como a pátria. Num campo de batalha, num terreno de operações. Não há explicações para o desaparecimento do desejo, última e única lição do mais extraordinário amor. Mas quando o amor nasce protegido da erosão do corpo, apenas perfume, contorno, coreografado em redor dos arco-íris dessa animada esperança a que chamamos alma – porque se esfuma? Como é que, de um dia para o outro, a tua voz deixou de me procurar, e eu deixei que a minha vida dispensasse o espelho da tua?”




Inês Pedrosa

A intenção da água é o mar


A intenção de mim és tu.






Mia Couto

terça-feira, 27 de dezembro de 2011


"(...) tesão se resolve é na cama, 

não emprestando livro..."





Caio Fernando de Abreu

Pergunto:


E quando o outro é muito mais do que um?




Markus Suzak

...que a música que ouço ao longe, seja linda ainda que tristeza...



"(...) uma parte importante de mim está ligada à música que ouço; e à maneira como gosto de viver os silêncios.


(...) Sinto o teu silêncio quando estou sozinho. Muitas vezes dou comigo a sentir a falta que me fazes, mas é mesmo do teu silêncio que me lembro quando sinto a tua ausência. É então que retenho aqueles momentos em que as palavras não fazem sentido e em que apenas nos vemos e tocamos. Gosto dos nossos silêncios (...). Quando tenho mesmo saudades tuas pego num disco de piano e é como se te sentisse aqui ao lado, os silêncios a modularem os sentidos, as notas a encherem os nossos segundos.”






Manuel Falcão

Assim as chamaria: 'borboLETRAS'



"Alheias e nossas as palavras voam.
Bando de borboletas multicolores, as palavras voam.
Bando azul de andorinhas, bando de gaivotas brancas,
as palavras voam.

[...]

Oh! alto e baixo, em círculos e retas em cima de nós,
em redor de nós as palavras voam.
E às vezes pousam."





Cecília Meireles

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011


E me beija com a boca de café.





Chico Buarque

faça bom proveito 
do seu 
coração de lata. 





Zeca Baleiro.

Ah, o silêncio....

                                          


recordo: os olhos tristes pousados no balcão e algum cansaço. tenho pena de te não ter dito nada, até amanhã talvez, até sempre ou até nunca. tenho pena de te não ter arrastado porta fora, solidão adentro, para te contar como são frias e sombrias as noites que habito






Autor Desconhecido.

Sei-me agora por demais estrangeiro entre as palavras. 
Se escrevo: Verão, sinto que sujo o sol. 
(...)



José Bação Lea


*Bem vindo verão!
**Logo mais vou responder a Todos... Obrigada pelo carinho. Estive fora e não consegui acompanhar o blog. 



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

E era Dezembro que floria...




Natal! Natal! (diziam).

E acontecia.Como se fosse na palavra a rosa brava

acontecia. E era Dezembro que floria.

Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.


E era na lava a rosa e a palavra.

Todo o tempo num só tempo:

nascimento de poesia.




Manuel Alegre


À Você que caminhou comigo: um natal de paz, e de luz interior, 
Que todos os dias, renasça em seu coração, a chama da esperança, 
Um abençoado natal, 
Um bom natal, 


"cada sonho que você deixa para trás, ...

...eh um pedaço do seu futuro

que deixa de existir..."





Steve Jobs

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

'Força e fé repete comigo... Porque no fim das noites escuras, brilham as mais bonitas estrelas'


"E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido."




Haruki Murakami


*Que nessa época de reflexões, possamos fortalecer nossa força, e nossa fé!

estupendo


"Se me apagasse neste preciso instante, o mundo pouco se importaria com isso. No entanto, deixaria de ser o mesmo: seria um mundo sem mim. E eu, algures na morte, é pouco provável que levasse comigo alguma coisa do mundo. Seria um homem morto, sem mundo, definitivamente só."





Al Berto

"Meu amigo, andei tão maus. Uma tristeza que não me largava. (...) Uma sensação de abandono, de solidão sem remédio - conhece o texto? -, de velhice chegando & eu chegando ao fim, sem ninguém nem nada além de ilusões já tão esfarrapadinhas."





Caio F. em carta para Marcos Breda

Dançarás - disse o anjo

Dançarás com teus sapatos vermelhos
Dançarás de porta em porta

Dançarás, dançarás sempre




Os Sapatinhos Vermelhos - Andersen

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

sozinha na noite de outra pessoa


Jamais pedi um beijo. Em menina eu os dava, simplesmente. Agora tenho remorsos desse beijo que pedi em vez de dar, e você me negou. Medo de ter perdido o ímpeto confiante de beijar. Me sinto, como escreveu Clarice Lispector, sozinha na noite de outra pessoa uma outra pessoa íntima e estranha, feita de pedaços de você e de pedaços de mim.”





Inês Pedrosa

É difícil definir o amor. O que se pode dizer é que na alma ele é uma vontade de reinar, no espírito é uma simpatia e no corpo não é mais do que uma vontade secreta e delicada de possuir aquilo que nós amamos após muitos mistérios.




La Rochefoucauld

Clarice: tenho sentido o mesmo...


Ela vivia de um estreitamento no peito: a vida!




Clarice Lispector

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011



"A maioria das pessoas seleciona as recordações para usar como bóias: aqui eu fui feliz, é aqui que vou ficar, parado no meio do imenso e ignoto mar. Ou então: aqui fui infeliz, e daqui não quero passar. Distingue-se assim, para uso quotidiano, otimistas e pessimistas - recordadores profissionais."



Inês Pedrosa

'quero mover as pás dos moinhos... vento ventania...'




...O moinho já não existe; 


O vento continua, todavia...


Van Gogh

"Esperanças são sobras que 
acenam aos desesperados."



Marcelo Soriano


"o poder infinito de Deus 

não está na tempestade,

mas na brisa."




Rabindranath Tagore

domingo, 18 de dezembro de 2011


Tu vens todos os dias à noitinha

            E despes-te com tanta lentidão

                          Com tanta lentidão que se adivinha

                                         A forma do teu próprio coração

                                         E quando vais é já noite fechada

                         Não sei se vou ficar se vou sair

          Não posso ter a alma sossegada

Sem saber se amanhã tornas a vir




David Mourão Ferreira


**Nada pessoal, simplesmente gostei!

De onde vem o jeito tão sem defeito?





Los Hermanos

'o tempo existe sim: e devora!'



Reduzi tanto meus sonhos, minhas fantasias, minhas esperanças. Ando espantado com o Tempo. O tempo é a única coisa terrível que existe. O tempo que passa e leva de arrasto, aparentemente aleatório, a juventude nossa e dos outros. Não é amargo, é apenas real. 




Caio Fernando de Abreu

sábado, 17 de dezembro de 2011

A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger...



"Não sei sentir, não sei ser humano,

Não sei conviver de dentro da minha alma triste,

Com os homens meus irmãos na terra.

Não sei ser útil, mesmo sentindo ser prático, quotidiano, nítido.

Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.

Mas tudo ou sobrou ou foi pouco, não sei qual e eu sofri.

Eu vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos.

E fiquei tão triste,

Como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.

Amei e odiei como toda a gente.

Mas se para toda a gente isso foi normal e intuitivo,

Para mim sempre foi a excepção, o choque, 
a válvula, o espasmo...

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim...

Não sei se sinto demais ou de menos...

Seja como for,

A vida de tão interessante que é a todos os momentos,

A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,

A dar vontade de dar pulos, de ficar no chão,

De sair para fora de todas as casas,

De todas as lógicas, de todas as sacadas e ir ser selvagem...

Entre árvores e esquecimentos."




 Álvaro de Campos

'tem um violão que é pras noites de lua, tem uma varanda que é minha e que é sua...'


Tudo que não seja viver escondido numa casinhola,

pobre ou rica, com uma pessoa que se ame,

e no adorável conforto espiritual que dê esse amor

- me parece agora vão, fictício, inútil, oco e ligeiramente imbecil...



Eça de Queiroz

Hoje eu desenho o cheiro das árvores.




Manoel de Barros

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011


Se me esfolassem agora

encontrariam o teu nome
colado num dos meus ossos

De mim, continuariam a nada entender....


Manuel Cintra

A minha tristeza não é feita de angústias.

A minha surpresa é só feita de fatos,

De sangue nos olhos e lama nos sapatos.

Minha fortaleza é de um silêncio infame

Bastando a si mesma, retendo o derrame. 




Chico Buarque

'Eu não moro mais em mim...'


"É de olhos abertos que te encontro - nos buracos de silêncio da minha casa, nos interstícios das multidões de fim de tarde, no bafo sobre os vidros, quando o frio esmaga a noite."

 


Inês Pedrosa

Bora pra vida?


"...Ter o coração para se emocionar diante de cada temperamento.

Ter imaginação para sugerir.

Ter conhecimentos para enriquecer os caminhos transitados.

Saber ir e vir em redor desse mistério que existe em cada criatura,

Fornecendo-lhe cores luminosas para se definir,

Vibratilidades ardentes para se manifestar,

Força profunda para se erguer até o máximo, sem vacilações nem perigos.

Saber ser poeta para inspirar.

Quando a mocidade procura um rumo para a sua vida,

Leva consigo, no mais íntimo do peito, um exemplo guardado, que lhe serve de ideal."




Cecilia Meireles

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011



A depender de mim os psicanalistas estão fritos. 


Eu mesmo é que resolvo os meus conflitos 
Com aspirinaamor ou com cachaça
Os gritos todos virarão fumaça.


A dor é coisa que dói e que passa.



Zeca Baleiro

Faça alguma coisa ruim, qualquer coisa, que me impeça imediatamente de sentir esse amor absurdo por você




Gabito Nunes

Ontem à noite, depois da sua partida definitiva, fui para aquela sala do rés-do-chão que dá para o parque, fui para ali onde fico sempre no mês de junho, esse mês que inaugura o Inverno. Tinha varrido a casa, tinha limpo tudo como se fosse antes do meu funeral. Estava tudo depurado de vida, isento, vazio de sinais, e depois disse para comigo: vou começar a escrever para me curar da mentira de um amor que acaba. Tinha lavado as minhas coisas, quatro coisas, estava tudo limpo, o meu corpo, o meu cabelo, a minha roupa, e também aquilo que encerrava o todo, o corpo e a roupa, estes quartos, esta casa, este parque. E depois comecei a escrever... 





Marguerite Duras

Ah! o Mar...


Lançamos o barco

 Sonhamos a viagem

Quem viaja é sempre o mar.


Mia Couto





*No meu Blog, não tem espaço para palavras repletas de rancor... Por Mim, e por Aqueles que viajam cá comigo, por favor: não insista! Obrigada!


"A janela continuou fechada. Mas a voz falou:

- Eu te livro desse amor, desse peso.
- O quê?
- Esse amor que você está sofrendo, essa vontade que você está sentindo de morrer: eu te livro disso.
- De que jeito?!
- Quando a história estiver pronta você vai ver.
- História? que história?

A voz falou mais baixo:

- Escreve a história dessa dor e eu te livro dela. É uma troca: eu te prometo."





Lygia Bojunga

Súplica...


E pelo amor de Deus, veja nas minhas palavras MAIS do que as minhas palavras.”



Carta de Clarice Lispector para Elisa Lispector




*Não estou conseguindo comentar em alguns blogs, infelizmente. Espero que logo normalize ;-)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011


Como a solidão, este jardim abandonado anoitece. Guardo derrotas, como se guardasse segredos. Anoiteço sobre este jardim. Agora, entre as ruínas, sou igual a estas árvores que morreram no instante em que tudo deixou de fazer sentido. No momento em que partiste, deixei de fazer sentido. O sangue, dentro de mim, é como esta terra seca. A noite não será suficiente para lhe devolver a vida. A noite será como veneno dentro desta terra e dentro de mim porque o céu da noite terá a cor dos meus cabelos, o negro absoluto do meu vestido. A noite será a certeza de que existes entre a multidão. Muito longe daqui, és uma sombra entre a multidão.(...)




José Luis Peixoto

Imortais, talvez...


"Cartas são perigosas.

Elas vivem muito tempo além da paixão."




Filme: A Bela do Palco
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