Quem nos visse pensaria. Um dia.



Colocava a cabeça no teu colo e esperava que me confiasses o cabelo. Fechava os olhos e abria o meu coração para ti. Tu não censuravas nada do que eu dizia e escutavas-me até eu não ter mais nada no peito para contar.


Idealizavas, com as unhas sobre o meu pescoço, desenhos - sonhos imperfeitos e dizias adoro-te, que nos meus braços morrerias: eu pensava que de qualquer forma também eu morreria, que queria e gostava de um dia sucumbir no teu regaço. Uma estúpida e deprimente canção de amor percorria-nos cada veia do nosso corpo e nós quietos, em surdina a escutá-la, quase enganávamos quem nos visse: talvez pensassem que nos amaríamos. Um dia.





Paulo Ferreira
2 comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!