domingo, 18 de setembro de 2011

...a mágoa magoa, mas faz-nos sentir vivos...


É uma palavra bonita, mágoa. Sabe as lágrimas silenciosas, a noites de insoniaas manhãs de domingo solitárias e sem sentido.

Está para lá da tristeza, da saudade, do desejo de lutar pelo que já se perdeu, da raiva de não ter o que mais se queria, da pena de ter deixado fugir um grande amor, por ser demasiado grande. 

Primeiro grita-se, barafusta-se, soluça-se em catadupas.
Depois, é o pós-guerra, a rendição, a entrega das armas e as sentenças de um tribunal
marcial interior, em que os juízes são a vida, e o réu, o que fizermos dela.

Limpam-se os destroços. Enterram-se os mortos, tratam-se dos feridos,
que são as nossas feridas, feitas de saudades, de desencontros, palavras infelizes e frases insensatas, medos, frustrações e tudo o que não dissemos.

A mágoa chega então, quando o cansaço já não nos deixa sentir mais nada. É silenciosa e matreira, instala-se sem darmos por ela, aloja-se no coração.

Mas o mundo nunca pára. Nada pára. A vida foge, os dias atropelam-se, é preciso continuar a vivê-los, mesmo com dor.

Pelo menos a mágoa magoa, mas faz-nos sentir vivos.”





Margarida R. Rabelo
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...