terça-feira, 27 de setembro de 2011

...doce é a espera, amargo é querer-te pra mim...


Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém. Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles a boca, os olhos, ou os lábios. Treinar-se a respirar florescentemente. Sorrir pelo ângulo da malícia. Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta.Velar as janelas com um suspiro próprio. Conceder ás cortinas o dom de sombrear. Pegar então num objecto contundente e amaciá-lo com a cor. Rasgar num livro uma página estrategicamente aberta. Entregar-se a espaços vacilantes. Ficar na dureza. Firme. Conter. Arrancar ao meu sexo de ler a palavra que te quer. Soprá-la para dentro de ti até que a dor alegre recomece.



Maria Gabriela Llansol
Postar um comentário

‘Cubra-nos com Teu Manto, oh Mãe’...

‘Cubra-nos com Teu Manto, oh Mãe’...  Quantas frases mal pronunciadas, sussurradas, cheias de uma pressa, de apelo e de fé elevei ...