Acabei hoje o sabonete cujo uso iniciaste quando 
o teu último banho cá em casa. Ficaram coisas que
te pertencem e que não sei se deva guardar,
a saber: um candeeiro, um desenho, uma fotografia.



Outras coisas ficaram: alguns discos e já não sei que livro.
Não ferem tanto. Há ainda a memória da pele, o amarelo dos olhos e algumas expressões do teu português falado.



Mas estas últimas coisas já se confundem com o
espírito da casa, quero dizer-te com a poeira da casa.



João Miguel Fernandes Jorge 
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Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!