terça-feira, 23 de janeiro de 2018


Continua a voltar frequentemente e a 
tomar-me, 


Sensação amada continua a voltar e a 
tomar-me, 


Quando acorda a memória do corpo, 


E desejo antigo volta a passar no sangue; 


Quando os lábios e a pele se lembram, 


E sentem as mãos como se tocassem de novo. 


Continua a voltar frequentemente e a 
tomar-me à noite, 


Quando os lábios e a pele se lembram 






Konstandinos Kavafis

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

l i n d a


A solidão era eterna e o silêncio inacabável. 

Detive-me com uma árvore 

e ouvi falar as árvores. 






Juan Ramón Jiménez

domingo, 21 de janeiro de 2018

sábado, 20 de janeiro de 2018

Mantra da Gratidão


*Obrigado à vida que me inspira, me renova e me dá chances de evoluir diariamente.*

*Obrigado ao lugar onde estou aqui e agora, pois esse lugar precisa de mim e eu dele.*

*Obrigado a todos os órgãos do meu corpo que funcionam em plena harmonia e perfeição.*

*Obrigado a casa onde moro, que me serve de refúgio e descanso.*
*Obrigado às oportunidades de trabalho, conquistas, sucesso e evolução que se abrem diante de mim diariamente.*
*Obrigado a cada dívida paga, porque dessa forma honro meu nome, honro meus compromissos e meu dinheiro se multiplica.*
*Obrigado a tudo aquilo que eu compro, adquiro pois é fruto do meu trabalho.*
*Obrigado a todas as pessoas que cruzam meu caminho.*
*Obrigado às pessoas que me fizeram mal, porque assim desenvolvi força e coragem para seguir sempre adiante.*
*Obrigado às pessoas que me fizeram bem, porque assim me senti muito amado e abençoado.*
*Obrigado a todas as oportunidades de sucesso financeiro e pessoal que recebo, identifico e aceito.*

*Obrigado a mim mesmo que encontro a gratidão em todas as pessoas, coisas e fatos.*

*Obrigado ao Universo inteiro, que conspira a favor de cada pensamento meu, por isso escolho com cuidado tudo aquilo 
 que penso, falo ou desejo.*

*Obrigado ao Deus maravilhoso que existe dentro de mim, sou parte de sua divindade e por isso espalho luz, amor e paz onde quer que eu esteja.*







Gratidão, gratidão, gratidão

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018


Porque há tanto desperdício na pressa estúpida do fim.

Amar também com a mão leve a linha da anca, o internamento ao vinco oculto, o flanco suave doce, o pescoço e a garganta, a mão toda, aberta na face, uma raiva fina lenta dos dedos nos cabelos. 

E depois convocar tudo ao mesmo tempo, procurar tudo em desespero para estar tudo presente na posse inteira do fim.






Veirgílio Ferreira


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018


É sobre o rio que me vejo inteira e nua



debruçada sobre as pedras a lavar lençóis de mágoa



memórias desbotadas de gritos sem sentido



restos de sonhos que o tempo amarrotou.



É do rio que me vem com as marés



o cheiro a mar aberto a vento e chuva fria



que um dia me revolveu e encharcou



as asas com que já não sei voar como sabia.



É no rio que deságuo a raiva de ter sido



a ponte entre margens que não quis perder



perdulária do tempo da certeza



e me encontro de novo e nova em mim.







Ana Oliveira

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018


"fingir que está tudo bem:

 o corpo rasgado e vestido com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro do corpo, gritos desesperados sob as conversas: 

fingir que está tudo bem: 

olhas-me e só tu sabes: 

na rua onde nossos olhares se encontram é noite: 

as pessoas são tão ridículas as pessoas, tão desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós olhamo-nos: 

fingir que está tudo bem: 

o sangue a ferver sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestade de medo nos lábios a sorrir: 

será que vou morrer?, 

pergunto dentro de mim: 

será que vou morrer?, 

olhas-me e só tu sabes: 

ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer: 

amor e morte:

 fingir que está tudo bem: 

ter de sorrir:

 um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga."




José Luís Peixoto

domingo, 7 de janeiro de 2018


 

Pequenas coisas,

dirás, que nada

significam perante

esta outra, maior:

dizer o indizível. 




Ou esta:

entrar sem bússola

na floresta e não perder

o rumo. 




Ou essa outra, maior

que todas e cujo

nome por precaução

omites. 




Que é preciso,

às vezes,

não acordar o silêncio. 






Albano Martins

sábado, 6 de janeiro de 2018

 

E eu disse que havia de levar-te flores. 

E tu perguntaste-me: «Quando?».

E eu respondi: «Quando morreres». 

E tu fizeste: «Ah!». 

E eu disse que havia de levar-te flores, e disse também: «Papoilas». 

E tu disseste-me que era melhor não pensar nisso. 

E eu disse-te: «Porquê?». 

E tu disseste-me: «Porque sim».

E eu disse: «Bom». 

E depois perguntei-te se nos íamos encontrar no céu mais tarde. 

E tu respondeste-me: «Sim». 

E eu disse: «Ainda bem».

Sim. 




Fernando Arrabal
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