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Às vezes perigosamente as veias coagulam
Não percebem: viver é uma hemorragia calculada.


Ana Hatherly

# vida que segue

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Exasperava-se à míngua de frutos. 
As abelhas, porém, enamoravam-se pelo perfume das suas flores.






Mário Rui de Oliveira

(DES)Encontros

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Hoje, agora, barba feita e inútil, apenas quero dizer que, em vez de de tudo isto, gostava de ter a coragem de ser como aquele escritor americano que há cinco/seis anos conheci em Haia, na Holanda. Desde a hora em que fomos apresentados, ele sentiu uma ternura instantânea e evidente por mim, uma ternura paternal, que aceitei. Era de noite, caminhávamos pelas ruas desertas de Haia, chovia um véu que nos cobria o rosto. 

Ele passava dos sessenta anos, eu ainda não tinha trinta, falava-me dos filhos que eram homens e lhe telefonavam duas ou três vezes por ano, falava-me da solidão. 

Disse que estava sozinho há quase quinze anos. 

Quando lhe perguntei o motivo pelo qual não procurava companhia, respondeu-me que não queria fazer mal a mais ninguém. 

Essas palavras ficaram-me, ouço-as muitas vezes. 

Nessa noite, enquanto passeávamos, o escritor americano tropeçou e caiu com muita violência no chão, as mãos escorregaram-lhe quando ia amparar a queda. 

Tentei ajudá-lo a levantar-se, recusou. 

Pergun…
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sobre o teu corpo caio 

daquele modo que o verão tem de espalhar os cabelos

na água esparsa dos dias 

e faz das peônias uma chuva de ouro

ou a mais incestuosa das carícias. 





Eugénio de Andrade
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“procura-me por todos os lados, 
procura-me às escuras por todos os lados, 
estarei algures, fremindo, 
criando bichos entre os braços e as pernas, 
aguardando que me salves. 
só assim te amarei, 
se souberes descortinar o caminho para o lugar onde 
me escondo, com medo, com fantasmas, 
feito para ser amado apenas por quem, 
avistando-me no fundo do poço,
 me puder querer sem garantia de outra condição”





Valter Hugo Mãe
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não temos nome somos apenas  objetos que respiram
quando o tempo não se gasta com a respiração envelhece com os instantes guardados no fundo das gavetas
enumeramos solidões onde o corpo se torna lento e a pouco e pouco atravessamos outonos sem precisar de mapas



maria sousa