domingo, 17 de junho de 2018


(…) 

viver é expor-se até ao fim, é a dolorosa alegria de se oferecer de corpo inteiro à vida.

 Não nos vá ela escapar.







Luís Miguel Cintra

sábado, 16 de junho de 2018



Não te vou aborrecer com mais poemas.

Digamos que te disse

nuvens, tesouras, pássaros, lápis

e que alguma vez

tu sorriste.




Júlio Cortázar,

quinta-feira, 14 de junho de 2018

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Os amantes sem dinheiro


Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.


Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.


Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.


Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.




Eugénio de Andrade

terça-feira, 12 de junho de 2018

Vá em Paz... Deixe-me em Paz... Sejamos Paz!


quantos corpos, quantas paisagens e 


aromas, quantos gritos, quantos ecos


quantas solidões 


quantos recuos e avanços, quantas paixões


terei ainda de atravessar para que o 


caminho se torne claro 


quantas revisitações da memória serão


necessárias para que o esquecimento seja


completo. 




Al Berto


Me perdoe, 
Sinto muito, 
Sou grata.

segunda-feira, 11 de junho de 2018


existe uma arritmia ténue

no coração de quem recusou

o amor de outrem,

 um coração

ténue que se sobrepõe ao que

já se tem.




(valter hugo mãe)

domingo, 10 de junho de 2018





Eu sou o viajante do deserto que, no regresso, diz: viajei apenas para procurar as minhas próprias pegadas. 


Sim, sou aquele que viaja apenas para se cobrir de saudades. 


Eis o deserto, e nele me sonho; eis o oásis, e nele não sei viver.






MIA COUTO


sábado, 9 de junho de 2018

domingo, 27 de maio de 2018



"O que mais nos dói e atrapalha na morte de quem amamos, de imediato, é o desaparecimento súbito do corpo. Essa repentina falta de assunto para os olhos físicos, bem acostumados que são com o tom da pele, o jeito dos cabelos, os diferentes desenhos de sorriso para cada contexto, a linguagem do olhar, a expressão corporal que cada um tem para falar e silenciar. E também o som da risada, o registro da voz, a textura do abraço, músicas que os sentidos ouvem e correm pra contar para o coração.

Fica, de cara, uma ausência esquisita. Esse estranho fechamento das cortinas quando o show continua a acontecer para nós. Essa inexistência física de um lugar para onde ir que nos permita encontrar o que habitualmente encontrávamos. Até nos darmos conta de que existem outros olhos para ver, a tristeza nos perturba. E dói. Dói muito.(…)

Ninguém morre quando continua no outro. Mas só o tempo nos ensina o caminho dessa mágica do amor. Só o tempo, esse cicatrizante."

Tempo, esse cicatrizante 


Ana Jácomo

sábado, 26 de maio de 2018


E de repente, o Amor é esta ferida aberta.

Suja.


Fatima Abreu Ferreira
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